((((* "O QUE VEM SEMPRE ESTEVE AQUI, A PAZ ESTA DENTRO DE TI E SO VOCE PODE TOCALA, SER A PAZ SHANTINILAYA, NADA EXTERNO LHE MOSTRARA O QUE TU ES. NADA MORRE POR QUE NADA NASCEU, NADA SE DESLOCA PORQUE NADA PODE SE DESLOCAR VOCE SEMPRE ESTEVE NO CENTRO, NUNCA SE MOVEU , O SILÊNCIO DO MENTAL PERMITE QUE VOCÊ OUÇA TODAS AS RESPOSTAS" *)))): "ESSÊNCIAIS" "COLETÃNEAS " "HIERARQUIA" "PROTOCÓLOS" "VÍDEOS" "SUPER UNIVERSOS" "A ORIGEM" "SÉRIES" .

sábado, 19 de maio de 2012

BIDI 1 - PARTE 1 - 16-05-2012 - AUTRES DIMENSIONS

BIDI 1 - PARTE 1 - 16-05-2012 - AUTRES DIMENSIONS



Pergunta: Eu estou acompanhada, no exterior e no interior de mim, por esse que foi meu companheiro, e eu já não sei quem sou eu e quem é ele. Já não sei quem pensa, quem fala e quem age. Como um corpo aqui para dois e outra coisa em outro lugar. De fato, isto já não é mais nem eu, nem ele, mas simplesmente a vida que flui.
Isto é um primeiro esboço mas ainda não está finalizado. A forma como tu o exprimes (quem pensa, tu ou ele?) quer dizer que existem dois que pensam no lugar de um. Há uma etapa. É essa que tu vives mas não te pára aqui. Porque, de momento, ainda há uma identidade: aquele que era, para ti, o que ele foi e que ele é, hoje, outra coisa, através do que tu És, através desse que não é mais o eu mas o Si.

Efetivamente, a vida flui. Mas, para além disso, isso que tu vives é uma premissa. É uma aproximação. Mas mesmo isso, é preciso ir além.

Não pares neste caminho, porque não há caminho. Não há ele. Não há tu. Há a perseguição, através disso, de qualquer coisa que não é o Absoluto mas que é romântico. O romantismo não é o Absoluto porque ele mantem a ilusão de ser dois. Não há dois. 

Aquilo a que te convida aquele, que foi teu companheiro, é, hoje, o Absoluto. Ele o diz dentro do que ele te diz: ele já não é esse que tu conheceste. Portanto, ele tem que ir para além. Através da impulsão que se move em ti, é preciso ir para além. E para ir para além é preciso que o olhar não se coloque nunca mais sobre qualquer coisa exterior que não existe mais do que os dois que estão em ti. A Fusão é um mecanismo onde não há mais dois. Portanto, não há nada a saber: quem pensa ou quem não pensa, ou será que os dois pensam?

Vai para além do pensamento. Vai para além das explicações. Vai para além do que foi dado. Aquele que foi o que ele era para ti, não te pode apressar. Ninguém te pode apressar. 

Houve aproximação. A aproximação está realizada. Depois dessa aproximação, isso faz parte, também, do conhecido e, nesse conhecido, há uma história: aquela que foi vivida mas que não é mais aquela que é para viver. Para isso, é preciso, portanto, também silenciar isso. É nesse sentido que a vida flui, sim, como tu o dizes. Mas pára a vida, não parando a tua vida.

Deixa viver o que é para viver. Não reflitas. Não faças perguntas. Contenta-te em estar naquilo que flui e que vai parar porque a verdadeira Vida não flui. É a Onda da Vida que flui.

O contato desencadeia o sentimento de estar em Fusão, mas enquanto houver um eu, o teu ou o seu, vocês não são o que ele É hoje. Cabe a ti (se eu me posso exprimir assim) subir. Mas esta subida não é uma subida. É, aí também, um Abandono, onde não há mais tu, não há mais ele.

Se é para viver este Absoluto, através do que se realiza em ti, por ele e para ti, é preciso ultrapassar «ele» e «tu». Porque há, necessariamente, na tua memória que ainda está presente, uma forma de nostalgia, uma forma de perda. O que substituiu a perda deve por fim à perda. Para além da identidade, da tua como da sua. Ele te fala igualmente daquilo que ele aborda. É isso, de qualquer modo, este Último. Ele te propõe. Ele te sugere naquilo que tu recebes mas ele não foi treinado. Mesmo que tu não tenhas sido treinado em qualquer coisa que está inscrita no tempo e no efêmero de uma vida, a tua como a sua.

A sua foi vivida, a tua vive-se. Mas vocês não são, nem um nem outro, o que foi vivido e o que se vive. Então não te preocupes com uma utilidade no seio humano, porque aquilo que tu poderás levar, tu Fundido com ele, e ele Fundido contigo, para além de toda a identidade, para além de toda a individualidade, ultrapassa largamente aquilo de que tu dependes atualmente.

Não é mantendo isso que se desenrolará aquilo pelo qual ele está aí. Certamente, lembra-te do que eu acabo de te dizer: ele não pode violar uma qualquer liberdade que é imprescindível. Ele, ele sabe. Ele, ele Vive. Tu não. O princípio da identificação era uma aproximação mas é preciso ultrapassar, através desta reunião ou esta união, mesmo este princípio de identificação.

Então, desde o instante em que tu reconheces que não sabes quem pensa (mas, da mesma forma, reconheces que tu procuras saber quem pensa), desde o instante em que tu dás peso a uma qualquer interrogação, tu te afastas do instante que deves viver, que está para além de toda a interrogação. A interrogação tornou-se (e era) uma certeza mas não deve tornar-se uma incerteza. Se não, tu não podes, em nenhum momento, realizar (se o posso dizer) o que está previsto, que é Absoluto.

O Último não pode aparecer senão quando todo o sentido de identidade, de individualidade, mesmo através desta relação, desaparece, porque a própria relação faz apelo à dualidade. Tu não podes relacionar-te com o que tu És. Tu não podes senão Sê-lo.

Ele te sugere Sê-lo, isso tu o sabes. Então não cedas às sirenes do passado. Isso não existe. Não cedas às sirenes daqueles que querem aparecer-te como uma função ou uma justificação do que quer que seja deste mundo. No entanto, tu sabes, no fundo de ti, que se desenrola qualquer coisa.

Esta qualquer coisa que se desenrola não tem necessidade de ti, nem dele, nem de vocês, mas é ainda outra coisa. Se tu aceitas isso, então, nesse momento, o Abandono do Si será realizado e tu poderás viver, realmente, não o eu sou, não aí onde ele está, não aí onde tu estás, mas entrar no não eu sou, o não ser e a não consciência.

Quais são os objetivos, os teus? O dele não é o mesmo que o teu. Não deve existir aí, simplesmente, uma superposição mas uma ultrapassagem do objetivo. Não é senão assim que um e outro poderão conduzir o que É, para além de todo o ser, mesmo à fonte do Ser, mesmo para além da consciência.

Assim, portanto, entra mais no Interior, de ti, como dele, sem ressonância exterior. Enquanto houver uma utilidade procurada, ou desejada, relativa a este mundo (tu estás ainda neste mundo, tu estás ainda limitado, ele te chama ao Ilimitado e tu o sabes), nenhuma influência deve exercer o que quer que seja. Vive o que tu És, não o que tu foste, não o que tu queiras. A melhor forma de te prestar serviço, e de Ser, é precisamente ultrapassar isso. Não por qualquer coisa de pessoal, ou uma identidade de quem quer que seja, mas antes, como tu o dizes, pela Vida.

Cabe a ti decidir. Cabe a ti aceitar o que foi dado, o que foi visto e o que, finalmente, deve ser totalmente ultrapassado pelo Abandono do Si, do teu como do seu. Mas para ele, é mais fácil. Lá onde ele está, ele não tem a discriminação em ressonância com as ligações e os apegos e com o corpo, com a história, com o passado. Tudo isso não é mais válido. É uma oportunidade inestimável.

Cabe a ti ver: onde te colocas tu? Mas não te coloques em relação ao que te é conhecido, em relação ao que te envolve, mas, unicamente, em relação a ti, em ti, para além de ti. Junta-te à Unidade onde nada pode interferir, quaisquer que sejam as ligações, quaisquer que sejam os afetos, quaisquer que sejam os apegos. Nada disso existe.

Não te deixes levar para fora de ti, por ti ou por outro. Vive o que se vive, sem procurar mais nada. Eu diria mesmo que o simples contato, para além da relação, se tu te silencias (se não há mais questões, se não há mais interrogações sobre o sentido de quem pensa, sobre o sentido de quem é), então tudo é visto, sem nenhuma dificuldade, sem nenhuma pergunta, sem nenhuma resposta, sem nenhuma dúvida.

Olha-te, para além do que flui: onde estão as dúvidas, quais são as tuas dúvidas, por quê? Não para encontrar uma resposta no exterior. Transcende a dúvida. Transforma a dúvida e deixa-a de lado. Lembra-te que muitos Anciãos te disseram: a Inteligência da Luz, a Inteligência da Vida, a Inteligência da Onda da Vida. Porque te queres tu substituir a ela? Onde está a necessidade de existência? Onde está a necessidade de manter o que deve ser libertado, na totalidade?

Eu não te convido a cessar todos os contatos, antes pelo contrário, mas a entrar na intimidade do contato, no sentido do contato e não numa qualquer tradução, aplicável a este mundo, que não existe. Tu estás no real do que existe. Porque queres tu levar isso para o irreal? Deixa fazer, deixa Ser. Muito mais. Não há relação. Não há comunicação. Há muito mais. Não fiques no romantismo. Não fiques no recordar.

Os dois não pertencem senão a esse mundo. E este mundo passará, da mesma forma, que tu passarás. Qual a importância? Não fiques fixo. Como tu o dizes: deixa fluir mas não observes o que flui. Desde esse instante, isso será. E tu viverás, na totalidade, o que é para viver. É a isso que ele te chama, para além de ele mesmo.

Quando tu falas de companheiro, tu evocas dois. Não há dois. Aqui mesmo, como noutro lugar (quer isso seja através do que tu denominas ele ou tu), há outra coisa. Esquece a necessidade de persistir. Esquece a necessidade de ser, quer isso seja numa história, numa recordação ou num contato.

A etapa de que eu te falei é, efetivamente, cumprida mas não é por isso que tudo está cumprido. Coloca-te sinceramente a questão: para que serve isso? Para o que tu desejas ou para o que é? Define-te na Liberdade.

Pergunta: De manhã, ao acordar, o corpo que eu habito gosta de ficar esticado durante horas, imóvel, pacífico e tranquilo. Este estado corresponde ao que vocês qualificam de meditação?

Quando é que eu denominei a meditação como sendo isto ou aquilo? Porque é que eu teria uma definição da meditação? Que queres tu entender sobre a meditação? Qual é o fim da meditação, se é que isso é uma meditação? Será que é uma complacência contigo mesmo?

Que precisas tu de esquecer? Será que, nesse estado, há uma satisfação e o que é que é satisfeito? Não ter que confrontar o mundo, a Ilusão? Ou será que, nesse instante, há, para além da meditação, para além do pacífico, a instalação de qualquer coisa que sempre esteve aí? A única verdadeira questão está aí. Não em saber se isto é uma meditação ou um Samadhi. Porque, quer isso seja uma meditação ou isso seja um Samadhi, é preciso, aí também, ir para além disso.

O que quer o teu corpo? É ele que quer se repousar ou é o teu espírito que põe esse corpo em repouso, com o fim de viver qualquer coisa, de manifestar qualquer coisa? Então, quer isso venha do corpo, que isso venha de uma meditação, quer isso venha de um estado de Presença, qual é a importância? É preciso ultrapassares isso. 

Se o teu corpo te pede, aceita-o. Se os teus pensamentos ou o teu espírito te pedem, aí também, aceita-o. Mas apreende bem que tu não És nada de tudo isso. Não é porque o corpo vive uma disposição de espírito particular, ou porque o espírito induz qualquer coisa de particular, no corpo, que tu deves manter a Ilusão desse corpo e desse espírito.

Se satisfazer num estado, mesmo dos mais agradáveis, não é suficiente. E, por vezes, isso pode mesmo ser um obstáculo, não por o viver mas por se identificar com ele. Não sejas isso. Isso não quer dizer que tu te deves levantar porque isso não mudará nada ao ponto de vista. Tu terás o mesmo olhar. Apreende bem que o mental te vai fazer crer que se tu aceitas esse repouso, ou se o corpo te pede esse repouso, tu te vais aproximar do Absoluto. É falso.

Enquanto tu acreditares nisso, é a Ilusão de um desenrolar do tempo. Porque o tempo de que tu falas é a manhã ao despertar. Tu poderias ter falado de um outro tempo, ao meio dia ou à noite, mas é ainda um tempo. Portanto, isso não é real porque é efêmero. Não é a repetição da experiência (quer ela seja pedida pelo corpo, ou pelo pensamento ou mesmo pelo Samadhi, que se instala) que vai resolver o problema. Porque, justamente, o problema é o corpo e esse espírito. Eles interagem um sobre o outro, em permanência. Isso não é a Paz. Isso não é o Samadhi.

Não é o fato de estar assim tranquilo que revela o que tu És, para além de ser, mas antes, justamente, a não identificação e ainda menos a justificação disso. Pouco importa que isso seja uma meditação. Pouco importa que isso seja uma doença. Pouco importa que isso seja sugerido pelo mental ou mesmo pela consciência. Não te atrases com isso. Se é para viver, vive-o. Mas tu não És o que vive isso. Tu És para além. Aceita vê-lo assim. Não há nenhuma finalidade possível, relativamente a isso.

Não é a repetição no tempo, nos dias, na hora, que vai mudar o que quer que seja. Porque, desde que tu sais disso, o que se passa? Passa-se que outras coisas se passam. Estas outras coisas passando, aí também, não fazem senão passar e inscrever-te no efêmero.

É o olhar que deve mudar. Não é a experiência. Nenhuma experiência é válida porque toda a experiência não tem senão um tempo, não dura senão um momento, como na pergunta anterior. Não fiquem fixos na experiência, qualquer que seja o prazer, qualquer que seja o Samadhi, qualquer que seja o que é percebido, ou não percebido. É preciso ir bem para além.

Porque é por trás disso que se encontra a Verdade: a que não se move, que não muda. Vive o que é para viver. Não te coloques a questão de saber se é uma meditação, se estás tranquila ou não. Não há nenhuma culpabilidade por fazer ou por não fazer.

Vai para além do observador. Vai para além do que se vive no efêmero. Aceita vivê-lo mas não te contentes com isso. Aceita ver o lado efêmero disso, enquanto experiência. O Absoluto não será jamais uma experiência. Não existirá, jamais, anterior ao Absoluto. Não haverá jamais uma preparação para o Absoluto. É qualquer que se mexe a fim de encontrar a imobilidade.

Portanto, isso não pode ser favorecido por uma qualquer experiência, por um qualquer estado, contato, relação ou outro. Se tu abandonares tudo isso, tu verás que tudo é muito simples, tudo é fácil. Como vocês dizem, tudo é evidente, mas na condição de suprimir as evidências que vos parecem normais, mas que não são senão experiências.

A evidência de que eu vos falo é a evidência do Absoluto, que não depende de nenhum tempo, de nenhum momento, de nenhum instante, de nenhuma experiência, de nenhuma justificação, qualquer que ela seja.

Como eu o disse nos nossos últimos encontros, nós somos todos Um, para além de toda a Unidade, no Amor. Porque nós somos Amor mas nós estamos para além do amor manifestado e criado, aqui, para além da experiência do amor. Aceita viver os momentos mais belos como os momentos mais hediondos deste mundo, que te propõe a tua vida, no mesmo estado, que não é um estado. Porque enquanto tu és gratificado, ou enquanto tu és culpado, é o mesmo princípio que se exprime.

Não procures nem culpabilidade, nem gratificação. É nessa condição, nestas duas condições, que tu sairás de toda a experiência, de todo o estado, de toda a consciência mas, mais uma vez, tu és Livre. A tua Liberdade é total.

Mas enquanto a Liberdade estiver ligada a condições, será verdadeiramente a Liberdade? Se tu dependes de um horário, se tu dependes de uma pessoa (que não tem mais realidade do que tu és) como esperas tu te poderes estabelecer no que tu És, para além da consciência, neste Último, neste Absoluto?

Certamente que vocês vivem, todos, experiências. Elas vos foram descritas (longamente, largamente e através) pelos Anciãos, as Estrelas e os Arcanjos. Isso são etapas. Isso são momentos. Isso são verdades relativas que se exprimem, justamente, em função do estado da consciência: fragmentada, separada, dividida ou Unificada. Então, claro, é mais agradável estar em consciência Unificada que fragmentada. Mas não te fies no que é agradável, e ainda menos no que é desagradável. Porque isso são qualificativos de um estado mas tu não és, de forma nenhuma, nenhum desses estados.

Aceita ver a Verdade, a fim de Ser a Verdade. Não aquela que depende de uma experiência, de uma circunstância, ou de um tempo, mas aquela que É, de todo o tempo, que engloba todas as experiências, agradáveis e desagradáveis, todas as ilusões, sem nenhuma exceção. E aí, tu verás o que tu não podes ver.

Pergunta: A minha vida, hoje, faz com que eu seja pouco ativo e que não me sinta implicado no mundo. Esta noção de implicação é uma forma de negação, uma forma de se retrair, uma falta de ancoramento, ou eu devo refutar em bloco toda a consideração sobre a forma que a minha vida toma sobre este mundo, porque de qualquer forma isso não revela o Absoluto?
Tu tens a resposta nas últimas linhas. Tu mesmo dizes: «a minha vida», «hoje», «o meu corpo». Tu sabes muito bem que tu não És nada de tudo isso. Então, o que quer que faça esse corpo (ação ou não ação), que importância tem para o que tu És, para além do Ser?

Tu mesmo manténs o papel de observador, a autocontemplação de si-mesmo. Há um amor de si que não pode conduzir ao não Si. Tu És Amor. Portanto, enquanto houver amor de si, tu não és Amor. Tu projetas e tu te identificas com a tua projeção. Tu próprio entreténs a Ilusão, porque depois de teres sido ativo, tu tentas a inatividade. E tu percebes que, aí também, ativo como inativo, isso não muda nada. O observador está sempre lá.

Tu te identificas, seja com esse corpo, seja com que o que se desenrola. E o que se desenrola não faz senão passar, como a tua vida, como o teu corpo. Tudo isso deve se varrido. Não como uma rejeição. Não pelo fato de negar essa vida, esse corpo, esse hoje. Mas estar para além desse corpo, dessa vida e desse hoje que, como eu te disse, todos os três passam e passarão. O observador ainda existe.

Tu estás em vias de te perguntar (para prosseguir o que eu disse no último encontro), para saber se tu és a corda ou a serpente, de saber se tu és o conteúdo ou o recipiente. Mas tu não és nada disso. E, no entanto, tu és isso. Mas não permaneças isso.

A autocontemplação no ego, como no Si, ativa ou inativa, não leva a nada. E tu o sabes. É um beco sem saída. Não há saída. Tudo isto são experiências que, num primeiro tempo, favorecem o observador. Mas, em algum lugar, no Absoluto, não há nenhum observador. Não há senão um jogo da própria consciência e, no momento, tu participas no jogo da consciência.

Qualquer que seja a tua vida, tu não és essa vida. Então, vive o que é para viver. Vive o que tu escolheste. Aí também, não há a procurar nenhuma gratificação e nenhuma satisfação, nenhuma culpabilidade. Porque o pensamento será sempre dual mesmo quando ele se pretende Unitário. Porque o pensamento é sempre discriminante.

Ultrapassa o pensamento. Ultrapassa o observador da mesma forma. Ultrapassa o corpo. Não os rejeites mas vê-os por aquilo que eles são: obstáculos. Não se suprime um obstáculo. De qualquer modo, contorna-se. Não se nega, não se parte. Aí também, é o teu olhar e o teu ponto de vista, ligados a esse corpo, a essa vida que se desenrola, que é uma projeção da consciência.

Tu não és nenhuma das tuas projeções. De qualquer modo, redefine o teu ponto de vista. Não o inscrevas num tempo. Não o inscrevas num espaço. Ainda menos num corpo.

A tua consciência está nesse corpo mas tu não és nem o corpo, nem a consciência que está nesse corpo, nem o exterior desse corpo. Porque tudo isso evoca e manifesta, ainda, uma dualidade. Dito de outra forma, não te interesses por isso, nem num sentido, nem noutro. Porque se tu te interessares por isso haverá uma culpabilidade ou uma gratificação. Mas nem uma, nem outra são a Verdade. Porque elas resultam, precisamente, de uma circunstância. E o que tu És não depende de nenhuma circunstância, seja ela esse corpo ou essa consciência. Efetivamente, sai de tudo o que te é conhecido, através desse corpo, através da sua ação ou da sua inação. Isso equivale, de fato, a aceitar não mais procurar. De apreender que não há nada a procurar.

Quem procura? E, sobretudo, quem encontra? E enfim, quem encontra o quê? Ainda a experiência. Ainda o efêmero. Ainda os limites. Ainda o conhecido. 


Deixa-te levar. Isso não quer dizer ficar na cama ou estar inativo. Se deixar levar pode acontecer estando extremamente ativo. Porque tu sabes, nesse momento, que não és tu que ages. Sai do transtorno da identificação. Tu não és o transtorno, ainda menos a recompensa, ainda menos a culpabilidade. Tudo isso representa jogos. Estes jogos que estão programados pelo eu ou pelo Si. Porque sem eu, sem Si, não há o não Si. E todo o resto resultará.

Certamente tu podes participar no jogo, dando-te a ilusão de ser mestre e de controlar. Enquanto tu crês controlar, ou ser o Mestre, o Absoluto está mascarado, para ti. É preciso ultrapassar a sabedoria. O que tu exprimiste traduz, em algum lugar, uma ligação ao efêmero, à tua vida, a esse corpo. O próprio apego cria a dependência ao efêmero e, portanto, à experiência. E é o seu fim.

Coloca claramente o que, para ti, é válido. E, como tu o disseste no fim da pergunta, a resposta está lá contida, porque tu o sabes, profunda e intimamente. E, no entanto, há qualquer coisa em ti que quer exprimir e manifestar o inverso. Por quê? De que duvidas ainda? De que tens medo? O que é que retarda? É tudo.

Olha, sem culpabilidade, sem julgamento. Porque o que aparece no âmbito da tua visão (a da consciência), favorece a integração, a ultrapassagem, mesmo a transcendência de uma consciência para uma não Consciência. E não vejas esse «para» como uma deslocação. Isso não é, também, como eu o disse, uma exclusão mas uma inclusão.

Tu queres Ser o que inclui ou o que exclui? Experiência ou Absoluto? Conhecido ou Desconhecido? Ativo ou inativo? O ativo de que eu falo não é a ação. O inativo não é também a não ação. Está para além.

Pergunta: Apesar de uma intuição e de uma aspiração profunda pelo Absoluto, os comportamentos que sobrecarregam e afastam do Absoluto aparecem frequentemente. Por quê?

Porque desde o instante em que tu tens a intuição do Absoluto, desde o instante em que tu aspiras ao Absoluto, que vai fazer o ego? Certamente, ele o vai fazer brilhar como um desejo inacessível, ele te vai afastar.

O Absoluto não está nem ligado a uma intuição, nem a uma aspiração. É preciso refutares tudo o que é da ordem da consciência efêmera. Tu não podes prosseguir o objetivo do Absoluto. Sem isso, ele se afasta, da mesma forma que quando tu o refutas ou quando tu o negas. O Absoluto não é afetado por ti. Ele não é afetado pela tua aspiração, pela tua intuição.

É preciso pousares as armas, parar de procurar, te Abandonares tu mesmo. O Absoluto não será nunca uma busca, nunca uma procura, nunca uma intuição, nunca uma aspiração. Ele não pode nunca ser revelado, à tua consciência, enquanto a consciência estiver aí.

Então, claro, tu tens uma forma bonita de falar da tua consciência que tem a intuição. Mas, como tu observaste, isso não muda nada. Da mesma forma em que tu vives a aspiração. A potência da aspiração, a ser isso, não é a mesma em todo o ser humano. Alguns seres (e eles são raros) tiveram uma certa tensão para isso. Mas a tensão não é a aspiração. O ponto de vista não é o mesmo.

Portanto, cessa de procurar, cessa de ser aspirado, cessa de aí ter intuição. Contenta-te, simplesmente, em Ser este Absoluto. Enquanto houver uma intuição e uma aspiração, é uma projeção, aí também, da tua consciência, para um objetivo. E este objetivo está inscrito no tempo e, como tudo o que está inscrito no tempo, isso não é real, porque isso muda e isso provoca, em ti, qualquer coisa que tu experimentas, certamente, pelo jogo da consciência. Isso se chama a frustração. E quanto mais tens a intuição, mais ficas frustrado. E isso te vai afastar, cada vez mais, do que já Está aí.

O Absoluto não é uma conquista, não é uma experiência, não é um estado. É este Último, que se revela desde o instante em que tu aceites, para além de todo o tempo, que não há aspiração, que não há intuição, relativamente a isso.

É preciso capitular porque a inspiração e a intuição não são senão reflexos da consciência, do Si ou da pessoa, nada mais. Tudo Está já aí, em ti, porque é a tua natureza, é aquilo que tu És. 

Portanto, não pode existir aspiração ou uma qualquer intuição porque isso permanece o mental ou um desejo, o que é pior. Não há nada a desejar, porque já está aí. O mental te leva ao inverso da tua aspiração e da tua intuição. E quanto mais elas crescerem, mais o mental te vai afastar, te conduzindo a viver coisas desagradáveis que não são senão reflexos da frustração.

No teu caso, não há dúvida nem medo mas, simplesmente, a frustração. Se tu aceitares ver isso, tu compreenderás a vaidade da intuição e da aspiração que te conduzem exatamente ao oposto de que tu queres, porque o Absoluto não é uma vontade, nem um querer. Então, deixa cair todo o querer. Se tu aceitares te Abandonar, tu verás que o Absoluto já aí está: é o que tu És. Tu não és mais as tuas frustrações do que a tua aspiração e, ainda menos, a tua intuição.

Uma intuição justa não serve senão neste mundo (para fazer boas escolhas, por exemplo). Mas o Absoluto não é uma escolha. Ele não é deste mundo. Que esperas tu encontrar aí? Tu não podes encontrar aí senão a frustração, cada vez maior.

Nenhum ser te pode conduzir ao que tu já És, senão aquele que te quer afastar do que tu És. Toma consciência de que não há senão um mestre e toma consciência, depois, de que esse mestre é ridículo, porque ele se ergue naquilo que sabe, naquilo que tem a intuição, naquilo que aspira a. Apreende isso. E isso não é um esforço a fazer. Não é um trabalho. Não é uma ascese. É muito simples.

A frustração te conduz à complexidade. E o que é complexo não é Absoluto. A complexidade pertence à consciência e ao seu desenvolvimento, de mundo em mundo, de Dimensão em Dimensão. Vai para além disso. Faz cessar todos estes jogos. Não aspires mais a nada. Não intuas mais nada. Faz silenciar isso, esquecendo (não te opondo) e tu verás que já aí está, desde sempre, mesmo antes da tua existência aqui.

O teu tu, o teu Si, se identificou com esta busca, com esta intuição, com esta aspiração e, portanto, tu colocas a ti mesmo uma distância que não existe, tu colocas um tempo que não existe, um espaço que não existe. Tu próprio o crias. Vê-o, sem culpabilidade, sem falsa aparência. E, desde esse instante, tu o viverás. Diz a ti que é simples. Se deve existir uma única intuição antes que ela desapareça, é esta: é simples. E substitui a aspiração (se fores capaz disso) pela tensão. E se a tensão não se pode fazer, então, Abandona-te.

Se, no instante, tu fores capaz de te dizer, na Verdade: «isso não importa», não haverá mais nada a importar, mais nada a procurar, mais nada a esperar, mais nada com que concordar ou descordar. O Absoluto Está aí. Tu Estás aí.

Lembra-te que, para o ego e o mental, o último passo parece assustadoramente difícil, porque ele tem a perda, porque ele tem o Abandono.
Tu te sentes Abandonado, sozinho? É um sinal muito bom. Um sinal melhor que a intuição e que a aspiração. Mas também não te apegues a isso, deixa passar tudo isso.


Pergunta: Por que é tão difícil permanecer nesta liberdade infinita que, por vezes, se exprime através de mim? 

Quem é que diz que é difícil? A resposta está no segundo termo da pergunta. Porque o que se exprime, através de ti, quer dizer que tu estás atravessada por qualquer coisa e que, aí também, tu te colocas como observador e, portanto, à distância, tu mesma. E realizar esta distância criada, o que acentua, em ti, esta noção de dificuldade, porque tu queres permanecer exterior e observador.

Portanto, é difícil: tu observas o que se passa mas tu não te tornas o que se passa que é, ele, Absoluto. Não há nada de difícil. Não há senão tu que és difícil no que tu não és. Então, por momentos, as resistências caem. E quando as resistências caem, tu falas de liberdade infinita. Mas quem observa esta liberdade infinita? Quem sente esta liberdade infinita? Justamente, o que impede que ela seja a Verdade Absoluta.

Não há senão tu e tu mesma. Se tu, observas esta liberdade infinita, se tu a sentes, tu não és Livre. A experiência que é vivida (porque se isso acontece, isso se torna uma experiência) não pode, claro, tornar-te Livre porque tu já és Livre. Tu já És isso. É simplesmente aquele que observa, que faz uma experiência, e não uma realidade do Real, e não o Absoluto.

Há em algum lugar uma distância que permanece. Quem coloca a distância? Será que é o Absoluto? Ou tu? Quem impede a instalação, a revelação, se não o observador, que se deleita na sua observação aí fazendo qualquer coisa de exterior, aí fazendo uma experiência, um estado que passa. E, há sempre, escondido atrás disso, a vontade de se perceber. Ora, o que é que se percebe, ou percebe, senão a consciência? Não há, portanto, não-consciência. Tu permaneces estabelecido no «eu sou». É precisamente isso. O observador está presente. Por vezes, há o testemunho. Mas é o mesmo princípio: há uma distância, há uma experiência, há um estado, mas não há perenidade.

Vai para além do que tu vês, para além do que tu crês. Não permaneças fixa. É o Absoluto que é imóvel (não tu), naquilo que se move ou naquilo que está fixo. Toda a experiência pode parecer boa de realizar e de viver mas há um instante em que todas as experiências devem ser transcendidas a fim, justamente, de não mais ser simplesmente uma experiência, simplesmente um estado que passa.

Tu És Eterna. Tu és Absoluta. Então, Liberta-te, porque tu já és Libertada. E, se tu aceitares isso, tu compreenderás que falar de Liberdade infinita não quer dizer nada. Tu não és realmente Livre senão se tu aceitares que tu já estás Libertada.

Nesse momento, tu te apreenderás que não há nem infinito, nem finito. Não resta senão o indefinido e o indefinível. O Absoluto também o é: nenhuma definição pode conter ou explicar o Absoluto. Não há como, mostrando-te, aí, onde não há lógica real (mas apenas uma lógica aparente), eu te possa dar a apreender a Verdade Absoluta (e não relativa). Porque mesmo o fato de falar de Liberdade infinita, que não dura, te mostra, sobretudo, que tu estás confinado.

Não culpabilizes. Vê-o simplesmente, porque é simples. Não há nenhuma dificuldade, exceto aquela criada pelo mental.

Quando tu dormes, tu podes dizer que estás em liberdade infinita? Não: tu desapareces. O Absoluto está lá, porque o mundo desapareceu. Isso não é simplesmente uma diferença de nuance ou de compreensão. É o olhar limitado ou ilimitado, um olhar finito ou infinito. Mas, aí também, o verdadeiro olhar não é nem finito, nem infinito: ele é Absoluto. Ele não pode estabelecer distinção, diferença, separação. Isso, tu o És.

Vê, simplesmente. Porque a Simplicidade é a Porta da Transparência e, sobretudo, da Espontaneidade, aquela que surge desde que o mental não tem mais referências, nem referente. Favorece isso.

CONTINUA NA SEGUNDA PARTE (EM TRADUÇÃO)

Mensagem de BIDI no site francês:
16 de maio de 2012
(Publicado em 17 de maio de 2012)
Tradução para o português: Cris Marques e António Teixeira

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C.R.A - http://a-casa-real-de-avyon.blogspot.com/

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