((((* "O QUE VEM SEMPRE ESTEVE AQUI, A PAZ ESTA DENTRO DE TI E SO VOCE PODE TOCALA, SER A PAZ SHANTINILAYA, NADA EXTERNO LHE MOSTRARA O QUE TU ES. NADA MORRE POR QUE NADA NASCEU, NADA SE DESLOCA PORQUE NADA PODE SE DESLOCAR VOCE SEMPRE ESTEVE NO CENTRO, NUNCA SE MOVEU , O SILÊNCIO DO MENTAL PERMITE QUE VOCÊ OUÇA TODAS AS RESPOSTAS" *)))): "ESSÊNCIAIS" "COLETÃNEAS " "HIERARQUIA" "PROTOCÓLOS" "VÍDEOS" "SUPER UNIVERSOS" "A ORIGEM" "SÉRIES" .

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

AMI, O MENINO DAS ESTRELAS - CAPÍTULOS 4 e 5

ami - o menino das estrelas 4 & 5

Criei uma nova seção aqui no blog para compartilhar "ESSENCIAIS" . Alguns como o exemplo do texto abaixo, Ami o Menino das Estrelas, indicados por mim, e outros por autores que me enviaram e disponibilizaram o seu trabalho para compartilhar com o desenvolvimento dos leitores.



Capítulo 4 - A polícia!

Chegamos até a primeira rua iluminada pelos postes de luz. Deviam ser onze e meia da noite. Parecia uma aventura andar sem minha vovó, tão tarde pelo povoado, mas eu me sentia protegido ao lado de Ami.
Enquanto caminhávamos, ele se detinha para olhar a lua entre as folhas dos eucaliptos, às vezes me dizia que ficássemos a ouvir o coaxar das rãs, o canto dos grilos noturnos, o longínquo ruído das ondas. Detinha-se a respirar o aroma dos pinheiros, do córtex das árvores, da terra, a observar uma casa que ele achava bonita, uma rua ou um cantinho em uma esquina.
- Veja que lindos esses candeeiros... parecem um quadro... observe como cai a luz sobre essa trepadeira... e essas anteninhas recortadas contra as estrelas... A vida não tem outro propósito que o de se desfrutá-la de uma maneira sã, Pedrinho.
Procure colocar sua atenção em tudo o que a vida lhe proporciona... A maravilha está em cada instante... Tente sentir, perceber, em lugar de pensar. O sentido profundo da vida está além do pensamento... Sabe, Pedrinho, a vida é um conto de fadas feito realidade... é um dom maravilhoso que Deus lhe brinda... porque Deus o ama...
Suas palavras me faziam ver as coisas de um novo ponto de vista. Parecia-me incrível que esse mundo fosse o habitual, o de todos os dias, ao qual eu jamais prestava atenção... agora percebia que vivia no Paraíso, sem nunca ter percebido antes...
Caminhando chegamos até a praça do balneário. Alguns jovens estavam na porta de uma discoteca, outros conversavam no centro da praça. O lugar estava tranquilo, especialmente agora que a temporada estava no fim.
Ninguém prestava atenção em nós, apesar da roupa de Ami; talvez pensassem que era uma simples fantasia...
Imaginei o que aconteceria se soubessem que espécie de menino estava passeando por aquela praça; eles nos rodeariam, viriam os jornalistas e a televisão...
- Não, obrigado -disse Ami, lendo meu pensamento- não quero que me crucifiquem...
Não compreendi o que ele quis dizer.
- Em primeiro lugar, não acreditariam; mas se por fim o fizessem, me levariam preso por ter ingressado "ilegalmente" no país. Depois pensariam que eu sou um espião e me torturariam para obter informação... E aí, os médicos iam querer ver o meu corpinho por dentro... -Ami ria enquanto relatava possibilidades tão negras.
Sentamo-nos num barco, num lugar um pouco afastado. Pensei que os extraterrestres deveriam ir se mostrando aos poucos, para que as pessoas fossem se acostumando a eles, para depois, um dia, apresentar-se abertamente.
- Ë mais ou menos o que estamos fazendo, mas mostrar-nos abertamente... já lhe dei três razões pelas quais é inútil fazer isso. Agora vou lhe dar mais uma, a principal: está proibido pelas leis.
- Por quais leis?
- As leis universais. Em seu mundo existem leis, não é? Nos mundos civilizados também existem normas gerais que todos devem respeitar; uma delas é não interfirir no desenvolvimento evolutivo dos mundos incivilizados.
- Incivilizados?
- Chamamos incivilizados aos mundos que não respeitam os três requisitos básicos...
- Quais são?
- Os três requisitos básicos que um mundo deve respeitar para ser considerado civilizado são: primeiro, conhecer a Lei fundamental do universo; uma vez que se conhece e se pratica essa Lei, é muito fácil cumprir os outros dois. Segundo, constituir uma unidade: devem ter um só Governo Mundial. Terceiro, devem organizar-se de acordo com a Lei fundamental do universo.
- Não entendo muito. Qual é essa lei do fundamento... de quê?
- Você vê? Você não a conhece -caçoava de mim-, você não é civilizado.
- Mas eu sou uma criança... Acho que os adultos sim a conhecem, os cientístas, os presidentes...
Ami riu com vontade.
- Adultos... cientístas... presidentes! Esses menos que ninguém, salvo raras exceções.
- Qual é essa lei?
- Vou lhe dizer mais adiante.
- De verdade? -fiquei entusiasmado ao pensar que ia conhecer algo que quase ninguém sabia.
- Se você se comportar direitinho -brincou.
Comecei a meditar essa proibição de interferir nos planetas incivilizados.
- Então você está violando essa lei! -expressei com surpresa.
- Bravo! Você não passou por alto esse detalhe.
- Claro que não. Primeiro você diz que é proibído interferir; apesar disso você está falando comigo...
- Isto não é interferência no desenvolvimento evolutivo da Terra. Mostrar-se abertamente, comunicar-se massivamente sim, seria. Isto é parte de um "plano de ajuda".
- Explique melhor, por favor.
- É um tema complicado. Não posso lhe explicar tudo, porque você não entenderia. Talvez o faça mais adiante; por enquanto só vou lhe dizer que o "plano de ajuda" ‚ uma espécie de "remédio", que devemos ir dando em forma dosificada, suave, sutilmente...bem sutilmente...
- Qual é esse remédio?
- Informação.
- Informação? Que informação?
- Bem, depois da bomba atômica começaram os avistamentos de nossas naves. Fizemos isso para que vocês começassem a ter evidências de que não são os únicos seres inteligentes do universo; isso é informação. Depois fomos aumentando a frequencia desses avistamentos, isso é mais informação. Depois vamos deixar que nos filmem. Ao mesmo tempo, estabelecemos pequenos contatos com algumas pessoas, como você, e também enviamos "mensagens" em frequências mentais. Essas "mensagens" estão no ar, como as ondas de rádio, chegam a todas as pessoas; algumas têm os "receptores" adequados para captá-las, outras não. Os que as recebem podem pensar que são suas próprias idéias; outros que ‚ uma inspiração divina; e ainda outros, que são enviados por nós. Alguns expressão essas "mensagens" bastante distorcidas por suas próprias idéias ou crenças; mas existem aqueles que as expressam quase puras.
- E depois, vão aparecer na frente de todo mundo?
- Se vocês não se autodestruírem, e sempre que sejam respeitados os três requisitos básicos. Não pode ser antes.
- Acho que é egoismo que vocês não intervenham para evitar a destruição -disse, um pouco aborrecido.
Ami sorriu e olhou para as estrelas.
- Nosso respeito pela liberdade alheia implica deixá-los alcançar o destino que merecem. A evolução‚ uma coisa muito delicada, não se pode interfirir, só podemos "sugerir" coisas, muito sutilmente, e através de pessoas "especiais", como você...
- Como eu? Que tenho eu de especial?
- Talvez eu lhe diga mais adiante, por enquanto você só precisa saber que tem certa "condição", e não necessariamente "qualidade"... Devo ir-me rápido, Pedrinho. Você gostaria de me ver de novo?
- Claro que sim, cheguei a estimá-lo neste curto tempo.
- Eu também a você, mas se você quer que eu volte, vai ter que escrever um livro relatando o que viveu ao meu lado; para isso foi que eu vim, é parte do "plano de ajuda".
- Que eu escreva um livro? Mas eu não sei escrever livros!
Faça como se fosse um conto infantil, uma fantasia... se não, vão pensar que você é um mentiroso ou louco; além disso, escreva para as crianças. Peça ajuda a esse primo seu, que gosta de escrever. Você relata e ele escreve.
Ami parecia saber mais de mim, do que eu mesmo...
- Esse livro vai ser informação também. Mais do que fazemos, não nos é permitido. Você gostaria que não existisse a menor possibilidade de que uma civilização de malvados venha invadir a Terra?
- Sim.
- Está vendo? Mas se vocês não deixam de lado a sua maldade e nós os ajudamos a sobreviver, rapidamente estariam tentando dominar, explorar e conquistar outras civilizaçäes do espaço... mas o universo civilizado é um lugar de paz e de amor, de confraternização. Além disso, existem outras qualidades de energias muito poderosas. A energia atômica ao lado delas é como um fósforo ao lado do sol... Não podemos correr o risco de que uma espécie violenta chegue a controlar essa energia e colocar em perigo a paz dos mundos evoluídos, e, muito menos, que chegue a produzir um descalabro cósmico.
- Estou realmente nervoso, Ami.
- Pelo perigo de um descalabro cósmico?
- Não. Porque penso que já é muito tarde...
- Tarde para salvar a humanidade, Pedrinho?
- Não. Para me deitar.
Ami se dobrava de tanto rir.
- Calma, Pedrinho. Vamos ver a sua vovó.
Pegou a pequena televisão da fivela do seu cinto. Apareceu minha vovó dormindo com a boca entreaberta.
- Desfruta realmente o sono -brincou.
- Estou cansado. Gostaria de dormir, eu também.
- Bem, vamos.

Caminhávamos para minha casa quando encontramos um veículo policial. Os agentes, vendo dois meninos sozinhos a essas horas da noite, pararam o automóvel, desceram e vieram até nós. Fiquei com medo.
- Que vocês estão fazendo a estas horas por aqui?
- Caminhando, desfrutando a vida -respondeu Ami muito tranquilo- E vocês? Trabalhando? Caçando malandros? -E riu como sempre. Assustei-me ainda mais do que já estava, quando vi a liberdade que Ami estava tomando com a polícia; apesar disso eles também acharam engraçada a atitude de meu amigo, riram com ele. Tentei rir também, mas por causa do meu nervosismo não consegui.
- De onde você tirou essa roupa?
- De meu planeta -respondeu com total ousadia.
- Ah, você ‚ um marciano.
- Marciano, exatamente, não; mas sou extraterrestre.
Ami respondia com alegria e despreocupação, em troca eu estava cada vez mais nervoso.
- Onde está o seu "ovni"? -Perguntou um deles observando Ami, com ar paternal. Pensava que era uma brincadeira de crianças; apesar disso, ele só dizia toda a verdade.
- Ele está estacionado na praia, debaixo do mar. Não é verdade, Pedrinho?
Eu não sabia o que fazer. Tentei sorrir e só consegui fazer uma careta bastante idiota, não me atrevi a dizer a verdade.
- E você não tem uma pistola de ráios? -Os guardas se divertiam com o diálogo. Ami também, mas eu estava cada vez mais confuso e preocupado.
- Não preciso. Nós não atacamos ninguém Somos bons.
- E se aparecer um malvado com um revólver como esse? -ele mostrou a arma fingindo ser ameaçador.
- Se vai me atacar, eu o paraliso com a minha força mental.
- Deixe eu ver. Paralise-nos!
- Ótimo. O efeito vai durar dez minutos.
Os três riam muito divertidos mesmo. De repente, Ami ficou quieto, sério e olhou fixo para eles. Com uma vóz muito estranha e autoritária lhes ordenou:
- Fiquem imóveis durante dez minutos. Não podem, NÃO PODEM MOVER-SE... já -E eles ficaram paralisados com um sorriso, na posição em que estavam.
- Você vê, Pedrinho? Assim você tem que dizer a verdade, como se fosse uma brincadeira ou uma fantasia -explicou-me, enquanto tocava o nariz ou puxava suavemente os bigodes dos guardas petrificados com um sorriso, que começava a me parecer trágico, por causa das circunstâncias. Tudo aumentava meu medo.
- Vamos fugir daqui, bem longe, eles podem acordar -expressei, tentando não falar muito alto.
- Não precisa se preocupar, ainda tem tempo para que se completem os dez minutos -e começou a mexer em seus bonés. Eu só queria era estar bem longe dali.
- Vamos, vamos!
- Já está pre-ocupado de novo, em vez de desfrutar o momento... está bem, vamos -disse resignado. Aproximou-se aos sorridentes guardas e com a mesma voz anterio lhes ordenou:
- Quando acordarem, terão esquecido para sempre esses dois meninos.
Quando chegamos á primeira esquina dobramos para o lado da praia e nos afastamos do lugar. Senti-me mais tranquilo.
- Como você fez isso?
- Hipnose, qualquer um pode.
- Eu acho que não se pode hipnotizar qualquer pessoa. Eles podiam ter sido uma dessas.
- Todas as pessoas podem ser hipnotizadas -disse Ami- al‚m disso, todas estão hipnotizadas.
- O que você quer dizer?... Eu não estou hipnotizado... estou acordado.
Ami riu muito da minha afirmação.
- Você se lembra quando vínhamos pelo caminho?
- Sim, lembro-me.
- Ali tudo lhe pareceu diferente, tudo lhe pareceu lindo, não é verdade...?
- Ah, sim... parece que era como se eu estivesse hipnotizado... Talvez você tenha me hipnotizado!
- Estava acordado! Agora está adormecido, pensando que a vida não tem nenhuma maravilha, que tudo ‚ perigoso. Você está hipnotizado, não escuta o mar, não percebe os aromas da noite, não toma consciência de seu caminhar nem de sua vista, não desfruta sua respiração. Você está hipnotizado com hipnose negativa, está como essas pessoas que pensam que a guerra tem algum sentido "glorioso", como os que supõem que quem não compartilha sua própria hipnose ‚ seu inimigo, todos estão hipnotizados, adormecidos. Cada vez que alguém começa a sentir que a vida ou um monemto são lindos, então este alguém está começando a acordar. Uma pessoa desperta sabe que a vida é um paraíso maravilhoso e o desfruta instante a instante... mas não vamos pedir tanto a um mundo incivilizado... Imagine que tem pessoas que se suicidam... já pensou que loucura? Suicidam-se!
- Pensando assim, como você diz, tem razão... Como foi que esses guardas não se zangaram com as suas brincadeiras?
- Porque eu toquei o seu lado bom, infantil.
- Mas eles são policiais!
Olhou-me, como se eu acabasse de dizer uma estupidez.
- Veja, Pedrinho, todas as pessoas têm um lado bom, um lado infantil. Quase ninguém é completamente mau. Se você quiser, vamos a uma prisão e procuramos o pior criminoso.
- Não, obrigado.
- Em geral, as pessoas não são mais bondosas do que malvadas, inclusive neste planeta. Todos pensam que estão fazendo um bem com o que fazem. Alguns se enganam, mas não é maldade, é erro. É certo que quando estão adormecidos ficam sérios e até perigosos, mas se você os toca pelo lado bom, eles vão lhe devolver o que há de bom neles; se você os toca pelo lado negativo, eles vão lhe devolver o que há de negativo neles; apesar disso, todo mundo gosta de brincar de vez em quando.
- Então por que neste mundo existe mais infelicidade do que felicidade?
- Não é que as pessoas sejam malvadas, são os sistemas que utilizam para se organizar que são velhos. As pessoas evoluíram, os sistemas ficaram atrasados. Sistemas ruins fazem as pessoas sofrer, vão fazendo as pessoas ficar infelizes, e no final as levam a cometer erros. Mas um bom sistema de organização mundial é capaz de transformar os maus em bons.
Não compreendi muito bem suas explicações.

Capítulo 5 - Raptado pelos extraterrestres!

- Já chegamos a sua casa. Já vai dormir?
- Sim. Estou realmente cansado, não aguento mais. E você, que vai fazer?
- Voltar para a nave. Vou dar uma volta pelas estrelas... Queria convidá-lo, mas se você está tão cansado...
- Agora já não!... de verdade?... Você me levaria a dar uma volta no seu "ovni"?
- Claro, mas e sua vovó?...
Diante de uma possibilidade tão extraordin ria como a de passear num "disco voador" foi embora todo o meu cansaço, estava como novo e cheio de vitalidade; pensei imediatamente na forma de sair sem que sentissem a minha ausência.
- Vou jantar, deixo o prato vazio em cima da mesa, depois coloco o meu travesseiro debaixo da roupa de cama, porque se minha avó se levantar vai pensar que eu estou dormindo em casa, deixo esta roupa por aí e visto outra. Farei isso com muito cuidado e em silêncio.
- Perfeito, vamos estar de volta antes que ela se acorde. Não se preocupe com nada.
Fiz tudo de acordo ao calculado, mas quando quis comer a carne tive nojo e não pude comer. Alguns minutos mais tarde caminhávamos para a praia.
- Como vou subir na nave?
- Vou entrar nadando, pela água, depois levo o veículo até a praia.
- Não vai lhe dar frio entrar no mar?
- Não. Esta roupa resiste muito mais ao frio e calor do que você imagina... Bem, vou pegar a nave. Espere-me aqui e quando eu aparecer não se assuste.
- Oh, não; já não tenho mais medo dos extraterrestres -achei graça de sua recomendação desnecessária...
Ami se dirigiu até as suaves ondas, entrou no mar e começou a nadar. Logo se perdeu de vista, na escuridão, pois a lua tinha desaparecido detrás de umas nuvens bem tenebrosas...
Pela primeira vez, desde que Ami apareceu, tive tempo de pensar a sós... Ami?... um extraterrestre!... Era verdade ou tinha sido um sonho?
Esperei um bom tempo e comecei a me sentir nervoso. Não me senti muito seguro... estava sozinho, numa praia escura e terrivelmente solitária...
Ia enfrentar-me com uma nave extraterrestre... minha imaginação me fazia ver estranhas sombras se mexendo entre as pedras, na areia, surgindo das águas. E se Ami fosse malvado disfarçado de menino, falando de bondade para conseguir minha confiança... ... ... Não, não pode ser!... ... ... Raptado por uma nave extraterrestre?...
Neste momento apareceu diante dos meus olhos um espet culo apavorante: debaixo da gua um resplendor amarelo esverdeado começava a subir lentamente, depois apareceu uma cúpula que girava, com muitas luzes coloridas... Era verdade! Eu estava contemplando uma nave de outro mundo! Depois apareceu o corpo do veículo espacial, ovalado, com janélas iluminadas. Emitia uma luz entre prateada e verde. Foi uma visão que eu não esperava, senti verdadeiro terror. Uma coisa era falar com um menino... menino?... com cara de bonzinho... máscara?... e outra coisa era estar aí, quieto, sozinho, numa praia, na escuridão da noite e ver aparecer uma nave de outro mundo... um "ovni" que vem nos pegar para nos levar para longe... Esqueci do "menino" e de tudo o que ele me tinha dito. Para mim aquilo se transformou numa máquina infernal, vinda de quem sabe de que sombrio mundo do espaço, cheia de seres monstruosos e cruéis que vinham me raptar. Pareceu-me que era de um tamanho muito maior do que o objeto que eu tinha visto cair no mar umas horas antes.
Começou a aproximar-se de mim, flutuando a uns três metros por cima das águas.Não emitia nenhum som, o silêncio era horrível e se aproximava, se aproximava irremediavelmente. Quis fugir. Desejei não ter conhecido nunca nenhum extraterrestre, queria fazer o tempo voltar para trás, estar dormindo tranquilamente perto de minha avó, a salvo, na minha caminha, ser um menino normal e com uma vida normal. Isso era um pesadelo; não conseguia sair correndo, não podia deixar de olhar para esse monstro luminoso que vinha me levar... quem sabe a um zoológico espacial...
Quando chegou em cima da minha cabeça, eu me senti perdido. Apareceu uma luz amarela no ventre da nave, depois um reflexo me ofuscou e aí eu soube que já estava morto. Encomendei minha alma a Deus e decidi abandonar-me a sua Suprema Vontade...
Senti que me elevavam, que eu ia numa espécie de elevador, mas meus pés não estavam apoiados em nada. Esperei ver aparecer aqueles seres com cabeça de polvo e olhos sanguin rios e sangrentos...
De repente, meus pés pousaram sobre uma superfície acolchoada e me vi de pé num recinto luminoso e agradável, carpetado e com paredes atapetadas. Ami estava na minha frente, sorrindo com seus grandes olhos de menino bom. Seu olhar conseguiu me acalmar, fazendo-me voltar á realidade, essa maravilhosa realidade que ele tinha me ensinado a conhacer. Colocou a mão no meu ombro.
- Calma, calma; não tem nada de mal.
Quando consegui falar, sorri e lhe disse:
- Deu-me muito medo.
- É sua imaginação desenfreada. A imaginação sem controle pode matar de terror, é capaz de inventar um demônio onde só existe um bom amigo, mas são somente nossos monstros internos, porque a realidade é simples e maravilhosa, é fácil...
- Então... estou num "ovni"?
- Bem, "ovni" é um objeto voador não identificado. Isto está plenamente identificado: é uma nave espacial; mas podemos lhe chamar "ovni" se você quiser, e também pode me chamar "marciano". -Relaxei completamente a tensão quando rimos.- Venha, vamos para a sala de comandos -convidou-me.
Por uma porta muito pequena e em forma de arco passamos a outro recinto, de teto tão baixo como o do que acab vamos de abandonar. Diante de mim apareceu uma sala semicircular rodeada de janelas ovais. No centro havia três poltronas reclináveis na frente dos controles, e várias telas quase apoiadas do chão. Aquilo era como se fosse para crianças! Tanto as poltronas como a altura da sala. Ali não caberia um adulto de nenhuma maneira... Eu podia tocar o teto levantando o braço.
- Isto é fabuloso! -exclamei entusiasmado. Aproximei-me das janelas enquanto Ami se acomodava na poltrona central, na frente dos controles. Detrás dos vidros pude ver a distância o reflexo das luzes do balneário. Senti uma suave vibração no chão e o povoado desapareceu. Agora só via estrelas...
- Ei, o que você fez com o balneário?
- Olhe para baixo -respondeu Ami. Quase desmaiei: estávamos a milhares de metros de altitude sobre a baía. Podíamos ver todos os povoados da costa que havia nessa região; o meu estava lá embaixo, bem embaixo. Tínhamos nos elevado quilômetros num instante e eu não tive nenhuma sensação de movimento!
- Super, super, ótimo! -meu entusiasmo crecia, mas logo a altura me deu vertigem.
- Ami...
- Diga.
- ... Isso não cai?
- Bem, se a bordo houvesse uma pessoa que tivesse dito mentiras, então os mecanismos poderiam falhar...
- Desça, então, desça!
Por suas gargalhadas soube que ele estava brincando.
- Podem nos ver lá de baixo?
- Quando esta luz se acende -disse apontando um sinal ovalado nos comandos- quer dizer que somos visíveis. Quando está apagada, como agora, somos invisíveis.
- Invisíveis?
- Do mesmo jeito que este senhor que está sentado do meu lado -mostrou a poltrona vazia a seu lado. Alarmei-me, mas suas risadas me fizeram compreender que era outra de suas brincadeiras.
- Como você faz para que não sermos vistos?
- Se uma roda de bicicleta está girando rápido, seus raios não são vistos. Nós fazemos que as moléculas desta nave se movimentem rápido...
- Engenhoso, mas eu gostaria que nos vissem lá de baixo.
- Não posso fazer isso. A visibilidade ou invisibilidade de nossas naves, quando estão em mundos incivilizados, efetua-se de acordo ao "plano de ajuda". Isso é decidido por um "computador" gigante situado no centro desta galáxia...
- Não entendo direito.
- Esta nave esta conectada a este "super-computador" que decide quando podemos ou quando não podemos ser vistos.
- E como é que esse "computador" sabe quando...?
- Esse "computador" sabe tudo... Você quer que a gente vá até algum lugar em especial?
- Até a capital! Gostaria de ver a minha casa daqui do ar...
- Vamos! -Ami mexeu uns controles e disse, "já". Preparei-me para desfrutar a viajem olhando pela janela... mas já tínhamos chegado!... Cem quilômetros em uma fração de segundo!
Eu estava maravilhado.
- Isto sim que é viajar rápido!
- Já lhe expliquei que em geral não "viajamos", senão que nos "situamos"... É uma questão de coordenadas, mas também podemos "viajar".
Olhei as grandes avenidas iluminadas. Era impressionante ver a cidade, de noite, de cima. Localizei meu bairro e pedi a Ami que nos dirigíssemos para lá.
- Mas "viajando" devagar, por favor. Quero desfrutar o passeio.
A luz dos comandos estava apagada. Ninguém nos via.
Fomos avançando suave e silenciosamente entre as estrelas e as luzes da cidade.
Apareceu a minha casa. Foi extraordinário vê-la das alturas.
- Quer comprovar se está tudo bem lá dentro?
- Como?
- Vamos ver por esta tela.
Na frente dele, numa espécie de televisão grande, apareceu a rua focalizada de cima; era o mesmo sistema pelo qual vimos minha avó dormir, mas com uma grande diferença: aqui a imagem aparecia em alto-relevo, com profundidade. Parecia que se podia meter a mão pela tela e tocar as coisas. Tentei fazer isso, mas o vidro invisível me impediu. Ami se divertia comigo.
- Todos fazem a mesma coisa...
- Todos, quem são todos?
- Você não vai pensar que é o primeiro incivilizado que sai a passeio numa nave extraterrestre?
- Tinha pensado que era -disse, um pouco decepcionado.
- Pois se enganou.
A lente da câmara, ou o que quer que fosse, pareceu atravessar o teto da minha casa, percorrendo cada cantinho. Estava tudo em ordem.
- Por que na sua televisão portátil não se pode ver em alto-relevo, como nessa tela?
- Já lhe disse, é um sistema antigo...
Pedi que fôssemos dar uma volta pela cidade. Passamos pelo meu colégio. Vi o pátio, o campo de futebol, os arcos, minha classe. Pensei em mim mesmo contando mais tarde a aventura aos meus colegas: "Vi o colégio de uma nave espacial"... Estaria orgulhoso.
Fomos passando pela cidade toda.
- É uma pena que não seja de dia -disse.
- Por quê?
- Teria gostado de passear na sua nave também de dia... ver cidades, paisagens com a luz do sol...-como de costume, Ami estava rindo de mim.
- Você quer que seja dia? -perguntou.
- Não acredito que os seus poderes sejam suficientes para mover o sol... ou são?
- O sol não, mas nós sim...
Conectou os controles e começamos a nos mover tremendamente rápido; subimos a cordilheira dos Andes e a atravessamos em uns três segundos, depois apareceram várias cidades que se viam como umas manchinhas luminosas, devido à grande altitude que tinhamos atingido; imediatamente depois apareceu o enorme oceano Atlântico, banhado pela lua. Também havia muitas nuvens enormes que limitavam minha visibilidade. O céu foi se aclarando no horizonte, viajávamos em direção ao leste. Chegamos à terra e aconteceu algo extraordinário: o sol começou a subir rapidamente! Para mim aquilo foi algo incrível. Ami tinha movido o sol! Em apenas uns momentos se fez dia.
- Por que você disse que não podia mover o sol?
Ami se deleitava observando minha ignorância.
- O sol não se movel; fomos nós que nos movemos rapidamente.
Compreendi meu erro imediatamente, mas tinha sua justificação: é preciso ver o que é comtemplar o sol se elevar pelo horozonte a uma velocidade imprecionamte...
- Em que lugar estamos?
- África.
- África? Mas se faz só um minuto nós estávamos na América do Sul!
- Como você queria viajar de dia nessa nave, viemos para um lugar que fosse de dia: "se a montanha não vem a Mahomé, Mahomé vai à montanha"...
- Que país da África você gostaria de visitar?
- Deixa eu ver... a Índia.
Sua risada me mostrou que meus conhecimentos de geografia não eram muito exatos...
- Então vamos à Asia, para a Índia... A qual cidade da Índia você quer ir?
- ... Dá no mesmo... escolhe você...
- Bombaim está bem?
- Sim, ótimo Ami...

Passamos em grande velocidade e altitude por cima do continente africano. Mais tarde, na minha casa, com um mapa-múndi pude reconstruir minha viagem. Chegamos ao oceano Índico, e o atravessamos enquanto o sol subia e subia vertiginosamente. De repente estávamos na Índia. A nave freou bruscamente e ficou imóvel...
- Como foi que nós não nos batemos contra as janelas com essa freada? -perguntei muito surpreendido.
- É uma questão de anular a inécia...
Ah, que fácil...


Para acessar os capítulos já publicados. "ESSENCIAIS"

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