((((* "O QUE VEM SEMPRE ESTEVE AQUI, A PAZ ESTA DENTRO DE TI E SO VOCE PODE TOCALA, SER A PAZ SHANTINILAYA, NADA EXTERNO LHE MOSTRARA O QUE TU ES. NADA MORRE POR QUE NADA NASCEU, NADA SE DESLOCA PORQUE NADA PODE SE DESLOCAR VOCE SEMPRE ESTEVE NO CENTRO, NUNCA SE MOVEU , O SILÊNCIO DO MENTAL PERMITE QUE VOCÊ OUÇA TODAS AS RESPOSTAS" *)))): "ESSÊNCIAIS" "COLETÃNEAS " "HIERARQUIA" "PROTOCÓLOS" "VÍDEOS" "SUPER UNIVERSOS" "A ORIGEM" "SÉRIES" .

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

AMI, O MENINO DAS ESTRELAS - CAPÍTULOS 10 e 11

Ami - o menino das estrelas - capitulo 10 & 11

Criei uma nova seção aqui no blog para compartilhar  "ESSENCIAIS" . Alguns como o exemplo do texto abaixo, Ami o Menino das Estrelas, indicados por mim, e outros por autores que me enviaram e disponibilizaram o seu trabalho para compartilhar com o desenvolvimento dos leitores.


Capítulo 10 - A fraternidade interplanetária

Em uma concavidade dos prados havia um bonito e pequeno anfiteatro, no qual vários seres muito estranhos representavam um espetáculo para o público.
No começo pensei que estavam fantasiados, mas logo compreendi que não. Havia seres gigantescos, ainda maiores do que os de Ofir, outros mais baixos, quase anões; alguns eram mais magros do que os terrícolas, outros muito parecidos a nós... Olhares lindos e estranhos, grandes olhos, bocas pequenas; rostos da cor de azeitona quase sem nariz e lábios... Chamou a minha atenção um grupo de crianças muito parecidas a Ami, apesar de que não se vestiam como ele.
- São originários do meu planeta -explicou-me.
Tinha cinco de cada mundo, dançavam de mãos dadas ao som de uma bela melodia, formando uma alegre roda. Um globo dourado ia caindo suavemente; quando se aproximava de algum ser, este o remetia para cima. Enquanto caía, aqquele que o tinha impulsionado e os quatro restantes de seu grupo passavam dançando de uma maneira harmoniosa no centro da roda e realizavam outra dança, ao compasso de uma nova música, que se somava à anterior, sem destoar. Enquanto isto acontecia, o resto da roda continuava com a dança geral, ao compasso da primeira melodia. Quando o globo alcançava outro grupo de seres, estes ocupavam o centro, ao compasso de outra música, e os anteriores voltavam a seu lugar. A roda geral ia girando lentamente. Cada vez que um grupo terminava seu ato, o público aplaudia com grande entusiasmo.
- Imagino que todos estes seres são originários de diferentes mundos.
- É isso mesmo. Cada grupo mostra as danças do seu planeta.
Entre o público havia seres de outros mundos, não somente ofirianos. O anfiteatro estava todo decorado com bandeiras ao redor. Naves muito diferentes estavam estacionadas fora do lugar, num estacionamento. Outras, como a nossa, permanecia no ar.
- Quem está ganhando? -perguntei.
- Ganhando o quê?
- Isso me parece que é uma competição, não?
- Competição?
- Não estão escolhendo o grupo que dança melhor?
- Não.
- E qual é o objetivo, então?
- Mostrar o que sentem, agradar dando um bonito espetáculo, estreitar laços de amizade, ensinar, desfrutar.
- E o grupo que dança melhor que os demais, não ganha nenhum prêmio?
- Ninguém está comparando nada. Aprendem e se divertem.
- Na Terra os melhores são premiados...
- E com isso, os últimos se sentem humilhados e aos ganhadores lhes cresce o ego... -disse Ami, sorrindo.
- É duro, mas quem quer ganhar tem que se esforçar.
- "Ganhar", ser mais do que os demais, outra vez, competição, egoísmo, separatismo. Devemos competir contra nós mesmos, superar-nos, e não contra os demais irmãos. Essas coisas não existem nos mundos fraternais, evoluídos, porque aí está a semente da guerra e da destruição.
- Acho que você está exagerando... são competições sãs, esportivas...
- Mas encaradas com critérios cavernícolas... já existiram guerras que começaram por causa se uma partida de futebol; até se matam nos estádios da Terra... Isto que você está vendo é são, esportivo e artístico.
- Parece uma brincadeira de crianças que existe no meu planeta.
- A roda, o círculo, são símbolos universais; representam a fraternidade; também outras coisas, entre elas, um mundo.
- Que significa o círculo do seu peito?
- Significa a humanidade.
- E o coração alado?
- É o amor elevado e livre, desapegado.
- A humanidade unida em amor! -exclamei.
- Você é um gênio! -disse ele, muito contente.
Continuamos observando o espetáculo enquanto Ami explicava:
- Cada um dos movimentos que realizam tem um significado, faz parte de uma linguagem.
- Que bonito!.. gostaria de que a minha avó visse isto... agora que penso, que horas que são na Terra?
- Sua vovó ainda vai dormir quatro horas.
- Podemos vê-la daqui?
- Sim, através da conexão com os satélites que temos em órbita na Terra. Espere.
Acionou os controles de uma tela e apareceu meu planeta visto de longe; depois vimos minha vovó dormindo.
- É maravilhoso!... Você pode ver o universo todo?
- Não voe tão alto!... acho que você desconhece o tamanho do universo.
- Você tem razão, desconheço, sim -confessei.
- Nós sabemos de alguns milhões de galáxias, as mais próximas. As outras as vemos de longe, e mais para lá... ignoramos o que existe... Mas esta tela é muito interessante, com alguns milhões de galáxias é suficiente, não é? -rimos- sem contar que podemos sintonizas o passado de qualquer mundo...
- O passado?... como ‚ possível?
- É fácil; está tudo arquivado, e de muitas maneiras... "Nada existe oculto que não se chegue a conhecer"... Vou lhe mostrar uma dessas maneiras. Esse balão dourado que flutua ali, recebe sua luz do sol, esta rebate no globo, e chega aos seus olhos; outros raios saem disparados para cima, para o espaço, viajam por ele eternamente. Se captamos essa luz em qualquer ponto da sua rota e a ampliamos, estaremos vendo o globo exatamente como foi no passado.
- Incrível!
- Mais adiante posso lhe mostrar Napoleão, césar, Jesus... em ação!
- De verdade?
- E a você mesmo há alguns anos... Mas, por enquanto, quero que você conheça um pouco mais de Ofir.
Começamos a nos elevar deixando atrás aquele anfiteatro.
Uma nave luminosa passou bem perto de nós fazendo um jogo de luzes; a nossa também fez, enquanto Ami sorria com brejeirice.
- Quem era, algum amigo seu?
- Eram pessoas alegres e divertidas, oriundas de um mundo que visitei faz muito tempo.
- Qual foi o significado desse jogo de luzes?
- Uma saudação, amizade, foram simpáticos comigo e nós com eles...
- Como você sabe?
- Você não sentiu?
- Acho que não...
- Isso é porque você não se observa. Se estivesse atento a você mesmo, assim como ao exterior, você poderia descobrir muitas coisas... Não sentiu uma certa alegria quando essa nave se aproximava?
- Não sei... acho que não... estava pensando que podíamos bater...
- Estava pre-ocupado -Ami ria- Veja essa nave que vai por lá, é de meu mundo, observe que é idêntica a esta.
- Gostaria de conhecer seu planeta.
- Em outra viajem vou levá-lo; hoje não temos tempo.
- Você promete?
- Se você escrever o livro, prometo.
- E ao passado também?
- Ao passado também.
- E às praias de Sírio também?
- Também -o menino espacial ria-, você tem uma boa memória. E também ao planeta que estamos preparando para abrigar os que resgatarmos no caso de produzir-se uma destruição da Terra.
- Isso quer dizer que a destruição é inevitável?
- Depende do que vocês fizerem para viver unidos, sem fronteiras, sem injustiças, sem armas.
- E formar um só país: a Terra, não é?
- É. Os regionalismos exagerados revelam pontos de vista pouco elevados, egoísmo. Um apego excessivo a um lugar não deixa espaço para amar o resto dos lugares. O universo é muito grande. Devemos pensar e amar “em tamanho grande”. Alguns pensam que os que são de sua rua são melhores do que os outros das outras ruas do mundo...
- Você tem razão, deveríamos viver sem fronteiras. Que somente a atmosfera seja a nossa fronteira! – exclamei entusiasmado.
- E nem mesmo isso. O Universo é livre, amor é liberdade. Nós não precisamos pedir permissão a ninguém para vir para este mundo ou qualquer outro que desejemos visitar.
- Qualquer um pode vir a este mundo sem pedir autorização...
- E a qualquer outro mundo do universo...
- E as pessoas daqui não se zangam?
- Por que deveriam se incomodar? – Ami regozijava-se com nosso diálogo.
- Não sei; é difícil para mim aceitar tanta maravilha...
- Vou tentar explicar-lhe, Pedrinho. Os mundos evoluídos formam uma fraternidade universal; todos somos irmãos, amigos, todos somos livres de ir e vir, sempre que não prejudiquemos ninguém. Não existem segredos, nem nada é proibido. Não existe guerra das galáxias, entre nós não existe violência. A violência é uma característica dos mundos primitivos e das sociedades que estes constroem. Não existe competição entre nós, ninguém quer ser mais do que o seu irmão. A única coisa que todos nós queremos é desfrutar de forma sã, a vida; mas, como amamos, nossa maior alegria a obtemos servindo, ajudando aos demais, e sendo úteis somos felizes. Todos temos a consciência em paz, amamos ao nosso Criador e lhe agradecemos por dar-nos a existência e permitir-nos desfrutá-la. A vida é muito simples para nós, apesar de termos muitos avanços científicos, e se a humanidade da Terra conseguir sobreviver, e se conseguir superar seu egoísmo e sua desconfiança, nós nos faremos presentes para ajudá-los, para que se integrem à fraternidade cósmica. Se conseguirem isso, a vida já não vai ser uma dura competição pela sobrevivência e vai começar a felicidade para todos; vamos lhes dar as ferramentas para que possam fazer da Terra um mundo feliz, pacífico, justo e unido.
- É maravilhoso o que você diz, Ami.
- Porque é verdade. Somente a verdade é maravilhosa. Quando você chegar ao seu mundo escreva esse livro, para que seja uma voz a mais, outro grão de areia.
- Quando eu lhes contar, todos vão acreditar e vão deixar suas armas para viver em paz... – eu disse, muito convencido.
Ami riu novamente de mim, enquanto me acariciava a cabeça, mas desta vez não me incomodei, porque já não o considerava um menino como eu, senão melhor.
- Que inocente! Você não percebe que estão em guerra, competindo de forma feroz, terrivelmente adormecidos, tão sérios e com as caras fechadas... mas as verdades do universo não são sérias, são maravilhosas. Você acha que um campo de flores é sério?
- Não. É bonito – respondi.
- Se as pessoas que governam os países e os exércitos fossem as que criam as flores, elas lhes colocariam balas no lugar das pétalas, e leis desumanas e rígidas no lugar dos talos...
- Então... não vão acreditar em mim?
- As crianças e os que são como crianças acreditarão; os adultos pensam que somente as coisas horríveis são verdadeiras. Colecionam objetos materiais, adoram as armas e não se interessam por nada que seja maravilhoso e verdadeiro; pensam que a escuridão é luz e que a luz é escuridão. Esses não vão se interessar pelo seu livro; mas as crianças sabem que a verdade é maravilhosa e pacífica. Elas vão contribuir para difundir a nossa mensagem, que vai chegar atravéz de você. É um processo. Nós realizamos nossa tarefa, brindando nossa ajuda e servindo. A humanidade deve agora fazer um esforço por si mesma.
- E se não prestam atenção a isso e destroem o mundo?
- Vamos Ter que fazer a mesma coisa que fizemos há milhões de anos.
- Resgatar todos aqueles que têm um bom nível – disse.
- Isso mesmo, Pedrinho.
- E eu tenho setecentas medidas? – Novamente tentei saber isso.
- Todos aquele que faz algo pela paz, tem um bom nível. E todo aquele que não faz nada, podendo fazer algo, é indiferente ou cúmplice, não tem amor, não tem um bom nível.
- Então, assim que eu chegar em casa, começo a escrever – disse, um pouco assustado.
Ami riu de mim.

Capítulo 11 - Debaixo d’água

Aproximávamo-nos de um imenso lago de águas azul-celeste. Sobre suas águas deslizavam embarcações a vela e a motor; na beira, as pessoas se banhavam. Tive vontade de mergulhar nessas águas tão cristalinas.
- Você não pode fazer isso.
- Por causa dos meus micróbios.
- Exatamente.
Havia um cais ao qual as pessoas chegavam para pegar livremente qualquer veículo aquático, luxuosos iates, pequenos botes a remos, umas bonitas esferas transparentes de diferentes tamanhos, bicicletas marinhas e roupa para mergulhar.
- Então, aqui cada um pode pegar qualquer coisa...
- Claro.
- Acho que a maioria vai querer pegar os iates de luxo...
- Você está enganado; muitas pessoas gostam de remar, outros de brincar com um barco pequeno, Ter a sensação de sentir a água de perto, fazer exercícios físicos...
- Por que tantas diversões; hoje é Domingo?
- Aqui todos os dias são Domingo – Ami ria.
Algumas pessoas pegavam as roupas especiais para mergulhar e submergiam.
- O que fazem debaixo d’água?
- Passeiam, descobrem, desfrutam a vida... você quer ir lá?
- Mas se você disse que eu não posso sair da nave...
Ami tomou o rumo do lago e enquanto sorria, submergimos nele. Foi muito bonito ver aparecer esse mundo subaquático. Muitas pessoas e veículos se movimentavam por debaixo da superfície das águas; a maioria eram essas esferas transparentes. Um menino que usava um visor para mergulhar e um pequeno tubo de oxigênio, passava perto de nós; quando nos viu, aproximou-se da nossa nave e colou seu nariz no vidro de uma das janelas, fazendo-nos uma careta. Ami ria. Pensei que se fosse eu que estivesse mergulhando numa praia do meu mundo, não teria me aproximado com tanta confiança de um “ovni” submarino...
No fundo do lago apareceu uma enorme cúpula transparente com luzes de diversas cores; havia uma espécie de restaurante no interior dessa enorme bolha. Lá dentro se podiam ver mesinhas, uma orquestra e uma pista de baile. As pessoas dançavam ao compasso de um ritmo alegre. Alguns batiam palmas, enquanto observavam das mesas cheias de sorvetes e bebidas em copos altos.
- Ali também não se paga?
- Em nenhum lugar, Pedrinho.
- Então, se a vida é tão fácil, como é que essas pessoas não se dedicam a desfrutar, em lugar de trabalhar?
- Aqui tem muito pouco trabalho, os mais pesados são realizados pelas máquinas e pelos robôs.
- Isto é melhor do que ir para o céu!
- Estamos “no céu”... não?
Estava começando a compreender cada vez com maior clareza a maravilha que devia ser viver num mundo como esse.
- Isto tem que se ganhar – disse Ami.
- Continuamos avançando lentamente pelo fundo daquele lago povoado de estranhos peixes e plantas.
Apareceram umas pirâmides que se elevavam entre as algas e os corais de vários matizes.
- Não tem tubarões por aqui?
- Nem tubarões, nem serpentes, nem aranhas, nem feras; nada agressivo ou venenoso. Este é um planeta evoluído, portanto, já não tem espécies distanciadas do amor... essas são para os mundos que as merecem...
- O que comem os peixes?
- A mesma coisa que as vacas e os cavalos do seu planeta, vegetais. Nos mundos civilizados ninguém mata para viver, nenhum animal come outro.
- Então você não come carne...
- O que você quis me dizer?
Não quis dizer nada que o ofendesse, mas Ami ria.
- Claro que não comemos carne... que nojo, é uma maldade matar esses franguinhos, porquinhos e vaquinhas inocentes...
Assim como ele o tinha descrito, eu também pensei que era uma maldade. Decidi não voltar a comer carne.
- E falando de comida... – disse, sentindo meu estômago vazio.
- Você está com fome?
- Muita. Será que tem alguma comida extraterrestre por aí?
- Claro, procure ali atrás – apontou um armário detrás das poltronas de comando. Levantei a tampa que deslizava para cima. Apareceu uma despensa pequena, cheia de recipientes de um material que se parecia à madeira, marcados com estranhos sinais.
- Pegue o maior.
Não soube como abrir, parecia hermético. Ami ria da minha confusão.
- Aperte o ponto vermelho.
Fiz isso, a tampa se levantou suavemente. Apareceram umas frutas parecidas a nozes, de cor âmbar claro, um pouco transparentes.
- O que são estas coisas?
- Coma uma.
Peguei uma, era mole como esponja, experimentei com a ponta da língua. Tinha um sabor mais ou menos doce.
- Coma, rapaz, coma que não é veneno – Ami não perdia de vista todos os meus movimentos.
- Dê-me uma.
Entreguei-lhe o frasco e ele pegou uma das frutas, levou-a até a boca e a comeu com deleite. Mordi um pedacinho e o saborei com cuidado. Tinha um gosto parecido ao amendoim, nozes ou avelãs. Seu sabor era muito delicado, gostei. Fui adquirindo confiança. O segundo pedaço me pareceu mais gostoso.
- São deliciosas!
- Não coma mais de três ou cinco, têm proteínas demais.
- O que é isso?
- É uma espécie de mel – ria Ami- de alguma coisa parecida a abelhas – agora Ami ria mais.
- Gosto disso. Posso levar algumas para minha avó?
- Claro, mas deixe o frasco aqui. Somente para sua avó, não as mostre para mais ninguém, comam-nas todas e não guarde nenhuma, você promete?
- Prometo... hummmm... são deliciosas.
- Não tanto, para meu gosto, como umas frutas da Terra.
- Quais?
- Essas que vocês chamam damascos ou abricôs.
- Você gosta?
- Claro, no meu planeta todos gostam muito. Já tentamos adaptá-las aos nossos solos, mas ainda não conseguimos esse sabor. É muito freqüente aparecerem “ovnis” nas plantações de damascos...
Ami ria com suas risadas de nenem.
- Vocês os roubam? – perguntei, com enorme surpresa.
- Roubar... o que é roubar? – fingia não saber.
- Pegar o que pertence a outros.
- Ah, posse, de novo. Então não podemos evitar os “maus hábitos” de nossos mundos – ria de novo- e “roubamos” uns cinco ou dez damascos...
Achei engraçado, apesar de que alguma coisa me incomodava. Roubar é roubar, quer seja uma fruta ou um milhão de dólares. Disse isso.
- Porque na Terra não podem deixar que quem necessite alguma coisa a pegue, sem pagar? – perguntou Ami.
- Você está louco? Ninguém se preocuparia em trabalhar, se não vão ganhar nada...
- Não têm amor, então, senão egoísmo... não podem dar se não vão receber algo em troca.
Ami tinha um estilo muito especial para dizer coisas duras com um sorriso, com ternura e compreensão.
Fiquei imaginando que eu era o dono de uma plantação dedicada ao plantio de damascos. As pessoas vinham e pegavam as minhas frutas sem pagar nada, depois aparecia um “malandro” que se aproveitava de mim; vinha com um caminhão e levava todas as minhas frutas. Eu tentava protestar, mas ele se afastava com seu veículo cheio, e caçoando de mim dizia:
- Então não existe amor em você?... você é um egoísta, há, há, há.
- Nossa, quanta desconfiança – Ami tinha visto todo o meu “filme” mental e disse:
- Numa sociedade civilizada ninguém “se aproveita” de ninguém. O que este homem vai fazer com um caminhão cheio de frutas?
- Vai vendê-las claro...
- Nada se vende; não existe dinheiro...
Achei isso muito engraçado, não tinha me lembrado que num mundo civilizado não existe dinheiro.
- Está bem, mas, por que eu vou trabalhar a troco de nada?
- Se em você existe amor você vai ser feliz de poder servir ao próximo, e assim você tem direito a ser servido, pode ir até o vizinho e pegar da sua colheita o que você precise; do leiteiro pega leite, do padeiro o pão, e assim sucessivamente; e se em lugar de fazer tudo isso isoladamente e em forma desordenada, a sociedade se organiza e levam os produtos aos centros de distribuição, e se em lugar de você trabalhar, trabalham as máquinas...
- Ninguém faria nada!
- Sempre haveria algo para fazer: supervisar as máquinas, criar outras mais perfeitas, ajudar àqueles que necessitam de nós, aperfeiçoar nosso mundo e a nós mesmos, e também desfrutar o tempo livre.
- Mas não faltaria aquele que só quer aproveitar e não fazer nada, o “malandro” – afirmei, lembrando-me do homem do caminhão.
- Esse, que você qualifica como “malandro”, tem um baixo nível de evolução, menos de quatrocentas medidas, muito egísmo e pouco amor; na verdade, ele pensa que é malandro, astuto, inteligente, mas é bem tonto; com esse nível não se pode ingressar nos mundos civilizados; neles se considera um grande privilégio trabalhar mais, poder servir mais. Aqui, muitas pessoas se divertem, mas a maioria está trabalhando em outros lugares, nos laboratórios, universidades, em todas essas pirâmides e também em missões de serviço nos planetas incivilizados. A vida é para ser vivida com felicidade, para desfrutá-la, mas a maior felicidade se obtém servindo aos demais...
- Então essas pessoas... são preguiçosas?
Pela risada de Ami soube que de novo estava enganado.
- Não, não são. Acontece que não são muito abundantes as oportunidades de servir nestes mundos.
- Quantas horas por dia trabalham?
- Depende do tipo de atividade, se é agradável, podemos trabalhar a jornada completa, como eu neste momento... mas isto é um grande privilégio.
- Você trabalhando; no que está trabalhando?... o que eu vejo é que estamos passeando – Ami ria enquanto me escutava.
- Sou algo assim como um professor ou um mensageiro, o que é quase a mesma coisa.
Não me pareceu que fosse o mesmo. Nesse momento vi dois jóvens que forçavam a janela de uma pirâmide submarina; tentavam entrar para roubar. Ami captou meus pensamentos e riu.
- Estão limpando os vidros!... Você tem a imaginação cheia de delitos...
- Como é a polícia aqui?
- Polícia; para quê?
- Para cuidar, para evitar que os malvados...
- Que malvados?
- Não tem nenhum malvado aqui?
- Bem, ninguém é perfeito, mas com setecentas medidas, a informação e os estímulos precisos, e dentro de um sistema de organização social adequado, todos deixam de ser nocivos para seus semelhantes; já não se nessecita ser “malvado”, e também não se precisa da polícia...
- É incrível!
- Incrível é que num mundo se matem uns aos outros...
- Você tem razão. Agora que eu penso, me parece impossível que algum dia, na Terra, cheguemos a viver como vocês; somos malvados, falta-nos amor; eu mesmo, tem gente que eu não gosto – pensei em um colega do colégio que está sempre sério. Quando nos entusiasmamos brincando, é suficiente um olhar seu para que a gente perca o ânimo. Também me lembrei de outro que pensa que é santo; afirma que a Virgem Maria apareceu para ele e lhe diz que ele irá para o Céu; sempre nos está condenando porque fazemos alguma travessura e brincadeiras e porque não vamos muito à missa... não, definitivamente eu não gosto.
- Eu também não acho que todas as pessoas são agradáveis, do meu mundo ou de qualquer outro, mas não porque eu pense que não são simpáticas vou lhes fazer algum mal.
- De verdade; você tem defeitos? – entusiasmei-me- eu pensava que você era perfeito! Eu também não faria nenhum mal a esses dois antipáticos... mas não me obrigue a viver com nenhum deles...
- Nos mundos evoluídos existem almas que não se atraem, mas que também não se rejeitam. Para missões ou trabalhos de muita convivência se buscam pessoas afins, apesar de que quando se chega às mil e quinhentas medidas se ama a todas as pessoas; devemos tentar avançar por esse caminho, mas nem a vocês nem a nós se exige tanto por enquanto.
- Então, não é necessário que os terrícolas sejam perfeitos?
Agora sim que meu amiguinho espacial riu com vontade.
- Os terrícolas perfeitos!... Você sabe o que é ser perfeito?
- Ser como Deus?
- Isso mesmo. Quem pode? Eu não...
- Eu também não – disse.
- É típico do misticismo terrestre, do extremismo mental. Matam sem compaixão, torturam, enganam, escravizam-se à matéria, têm um baixo nível de evolução, e exigem perfeição!... Seria suficiente que abandonassem as armas e vivessem em paz, como uma família, só isso; para conseguir isso não precisam ser perfeitos, somente devem deixar de ser daninhos. Isso é muito mais fácil do que conseguir a perfeição. Somente um estalar de dedos e o mundo começa a viver em paz, mas lhes parece uma loucura, uma utopia, um impossível; em troca, A PERFEIÇÃO, isso sim lhes parece impossíver... não fazem nada pela humanidade e só se dedicam a buscar pequenos erros alheios ou próprios: “coam mosquitos e engolem camelos”.
- E se uma pessoa se retira a uma montanha para buscar a Deus? – meu colégio é religioso, por isso sempre se toca nesses temas.
- Se alguém se afoga num rio, enquanto você reza na beira sem fazer nada por essa pessoa, Deus estaria contente com você? – perguntou Ami.
- Não sei... talvez ele fique contente com as minhas orações.
- Qual é a Lei fundamental do universo?
- Amor.
- Em qual atitude sua tem mais amor: rezando indiferente enquanto seu irmão se afoga, ou tentando lhe salvar a vida?
- Não sei... se em minha oração eu estou amando a Deus...
- Vejamos de outra maneira. Se você tem dois filhos, um deles está se afogando num rio, e o outro se dedica a adorar um retrato seu e não faz nada por salvar a vida a seu irmão, você acharia correta essa atitude?
- Não, claro que não, preferiria mil vezes que salvasse meu outro filho... mas talvez Deus não seja como eu.
- Não? Você o imagina vaidoso, interessado simplesmente em que o adorem, sentindo indiferença pela sorte dos seus outros filhos?... Se você, que é imperfeito, não atuaria assim, como Ele poderia, que é Perfeito, ser pior do que você?
- Não tinha visto dessa maneira...
- Deus prefere um ateu serviçal para com seus irmãos, do que um beato inútil para seu mundo que se “afoga”, interessado unicamente em sua ilusória “salvação” ou “perfeição” individual.
- Não tinha percebido isso Ami. Por que você sabe tanto a respeito de Deus?
- Porque Deus é amor, portanto, quem experimenta amor, experimenta a Deus, e quem ama, unicamente quer ser útil.
- Qual é sua religião?
- Nenhuma, ou talvez sim, não sei... Em todo o universo evoluído a única religião universal consiste em viver em amor, porque o amor é Deus... além disso, não temos nenhum sistema de crenças.
- Exceto uma – disse eu.
- Qual, Pedrinho?
- Bem, isso de que o amor é o universo fundamental da lei...
- Lei fundamental do universo, Pedrinho, mas não é uma crença, senão uma lei, comprovada científica ou espiritualmente, porque ciência ou espiritualidade são a mesma coisa para nós, e também o será para vocês quando a sua ciência descobrir o amor.
- Eu pensei que era uma...
- Uma superstição – perguntou Ami rindo.
- Algo assim... uma boa intenção, talvez.
- Enganou-se de novo. Vamos ver algumas pessoas muito especiais


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